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clock 21 de setembro de 2026
Expedição descobre maior pegada de dinossauro do Brasil na Paraíba

Expedição descobre maior pegada de dinossauro do Brasil na Paraíba

Uma equipe de cientistas realizou uma descoberta significativa no município de Sousa, na Paraíba, a 430 quilômetros de João Pessoa. Durante uma expedição no local, foi encontrada a maior pegada de dinossauro já registrada no Brasil. A pegada tridáctila, que mede 60 centímetros de comprimento e 63 centímetros de largura, é atribuída a um dinossauro carnívoro de grande porte, possivelmente pertencente ao grupo dos abelissauros, que habitou a América do Sul há cerca de 140 milhões de anos.

Localização e Contexto da Descoberta

O icnofóssil, termo usado para vestígios de organismos antigos, foi localizado na zona rural de Sousa, aproximadamente 15 quilômetros do centro da cidade. A pegada está em um afloramento geológico conhecido como Floresta dos Borbas, parte da formação Antenor Navarro, datada do Cretáceo Inferior, na bacia do Rio do Peixe, que se estende entre os estados da Paraíba e Ceará.

Equipe de Pesquisa e Metodologia

A expedição foi coordenada pelo paleontólogo Fábio Cortes Faria, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e contou com a participação de especialistas como o arqueólogo João Henrique Rosas e o geógrafo Rogério dos Santos Ferreira, da empresa Rastro Arqueologia, além de pós-graduandos da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). O trabalho faz parte de um projeto mais amplo de preservação do patrimônio geológico e arqueológico da região, apoiado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Paraíba.

Preservação e Desafios

Após a descoberta, medidas foram discutidas com a prefeitura de Sousa para proteger a pegada, que está situada em uma via de acesso a uma propriedade privada, sujeita a danos causados por veículos e animais. "Conversamos com a prefeitura para desviar o tráfego e evitar prejuízos à pegada", comentou Faria.

Análise e Implicações Científicas

O professor Ismar de Souza Carvalho, também da UFRJ, confirmou que a pegada é a maior de um dinossauro terópode já encontrada no Brasil. A descoberta contrasta com outras pegadas do Cretáceo Inferior na região, que há mais de um século são objeto de estudo. No entanto, cautela é recomendada por especialistas como Bruno Navarro, do Museu de Zoologia da USP, que alerta sobre a classificação taxonômica baseada em uma única pegada. "Somente com comparações detalhadas com material ósseo será possível atribuir a pegada a um nível taxonômico específico", disse Navarro.

Impacto e Próximos Passos

Os paleontólogos planejam uma análise detalhada da pegada, que será apresentada em um artigo científico. A divulgação do achado é vista como uma oportunidade para valorizar a região e promover o projeto de preservação do patrimônio geológico de Sousa. "É uma ciência cidadã. Para preservar efetivamente os locais com pegadas fósseis, precisamos da participação ativa da comunidade local", destacou Carvalho.

Foto: Reprodução / DOL - RSS - Principal

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