No dia 13 de abril, a comunidade de Pai Francisco, localizada na zona rural de Juruti, no Pará, decidiu bloquear a importante rodovia PA-192. O ato de protesto visava pressionar a Alcoa, uma das maiores mineradoras do mundo, a compensar as famílias locais por danos ambientais e pela ocupação de terras causados pela extração de bauxita na região.
Reivindicações históricas e negociações estagnadas
A advogada Hevelyns Lira, representando a família Fragata e outros moradores, destacou a resistência da Alcoa em atender às demandas de indenização que remontam a 2014. As comunidades afetadas buscam reparação pelos impactos socioambientais decorrentes das operações da mineradora na Mina de Juruti. Lira enfatizou que a comunidade não se opõe à presença da mineradora, mas quer justiça: "Se outras comunidades receberam compensações, por que esta não foi contemplada? Há uma clara negligência em termos de sinalização e segurança, resultando em acidentes que poderiam ser evitados", declarou.
A postura da Alcoa diante das reivindicações
Edson Fragata Junior, filho de um dos donos das terras em questão, lembrou que a Alcoa formalizou a posse dessas terras em 2007, por meio de um documento de compra e venda. No entanto, as demandas da comunidade têm sido ignoradas desde 2014, levando-os a bloquear a rodovia como forma de pressão. Ao final do dia de protesto, a Alcoa se reuniu com os representantes dos manifestantes, que deram um prazo de 15 dias úteis para a empresa fornecer uma resposta definitiva.
Alcoa reafirma compromisso com diálogo
Em comunicado oficial, a Alcoa informou que o bloqueio foi encerrado no início da tarde e ressaltou seu compromisso com o diálogo contínuo com as comunidades locais. A empresa afirmou que "prioriza a escuta ativa e atua no território com os princípios de uma mineração responsável". Este posicionamento busca amenizar as tensões e encontrar uma solução pacífica para o impasse.