Governo propõe projeto de lei para reduzir impostos sobre combustíveis com uso de lucros do petróleo

Governo propõe projeto de lei para reduzir impostos sobre combustíveis com uso de lucros do petróleo

Nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, o governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que, se aprovado, permitirá a redução de tributos sobre combustíveis como gasolina, diesel, biodiesel e etanol. A proposta tem como objetivo utilizar os lucros oriundos da venda de petróleo para compensar a renúncia fiscal decorrente da diminuição desses impostos.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) pretende que as receitas extras geradas por conta da alta no preço do petróleo no mercado internacional sejam empregadas para suprir a arrecadação perdida com a redução dos impostos sobre combustíveis. Desde o início do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o preço do barril do petróleo tem registrado aumentos significativos, favorecendo a arrecadação do Brasil.

Detalhes do projeto de lei

A proposta, encaminhada pelo líder do governo na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), propõe que os tributos que poderão ser reduzidos incluem a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e o PIS/Cofins. O mecanismo criado pelo projeto pretende ser automático, evitando a necessidade de novos projetos de lei ou medidas provisórias para autorizar cortes tributários subsequentes.

A validade do mecanismo de redução de impostos está prevista para todo o ano de 2026. No entanto, o próprio texto do projeto deixa claro que sua vigência está atrelada ao contexto de guerra, que impulsionou os preços globais de energia. O resumo oficial do PLP 114/2026 menciona que a proposta visa mitigar os impactos econômicos do choque no mercado de energia causado pelo conflito no Oriente Médio.

Tramitação e perspectivas no Congresso

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que já houve conversas preliminares com líderes do Legislativo para acelerar a tramitação do projeto. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria se comprometido a incluir o projeto na pauta da reunião de líderes partidários agendada para a próxima terça-feira, 28 de abril.

Guimarães também destacou que o governo busca aprovar um requerimento de urgência para o projeto, o que permitiria sua votação pelo plenário sem a necessidade de passar por comissões especiais. Tanto Hugo Motta quanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mostraram-se favoráveis e empenhados em agilizar o processo legislativo.

Ações temporárias e impactos fiscais

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, enfatizou que as medidas de redução de impostos sobre combustíveis adotadas até agora são temporárias e pontuais, com duração de dois meses. Ele explicou que o imposto sobre a exportação de diesel é uma medida regulatória, não destinada a aumentar receitas, mas a compensar as renúncias já implementadas.

Moretti ressaltou que, enquanto houver lucros extraordinários decorrentes do conflito no Oriente Médio, o montante arrecadado será suficiente para cobrir as renúncias fiscais e subvenções necessárias. "Toda medida de redução de imposto ou subvenção terá duração sempre de apenas dois meses, como temos feito até agora", afirmou o ministro.

Foto: Reprodução / CNN Brasil - RSS

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