Indígena Huni Kuĩ aprovado em concurso de professor no Ifac

Indígena Huni Kuĩ aprovado em concurso de professor no Ifac

Jovem Indígena Conquista Vaga de Professor no Ifac

Clécio Ferreira Nunes Huni Kuĩ, de 24 anos, também conhecido como Muru Inu Bake na língua Hãtxa Kuĩ, conquistou uma vaga como professor efetivo de inglês no Instituto Federal do Acre (Ifac). Sua trajetória é marcada por dificuldades financeiras e um processo intenso de construção de identidade.

Trajetória Acadêmica e Pessoal

Nascido em Rio Branco, Clécio cresceu no bairro Montanhês, onde concluiu o ensino básico em escolas públicas. Após o ensino médio, ingressou no curso de Letras Inglês na Universidade Federal do Acre (Ufac) e atualmente está cursando mestrado e graduação em Jornalismo.

Desafios do Concurso

Em 2023, Clécio decidiu participar do concurso para professor no Ifac, motivado por quatro vagas disponíveis na sua área. Apesar do bom desempenho, o processo foi suspenso por questões judiciais, o que gerou incertezas. Contudo, ao ver candidatos de outros estados viajando para o Acre, Clécio se sentiu incentivado a continuar.

Superação e Conquista

Inicialmente classificado em quinto lugar, Clécio foi beneficiado pelas cotas e acabou assumindo a sexta posição geral. Ele foi finalmente chamado em fevereiro deste ano, após uma convocação de madrugada que incluiu três candidatos de Letras Inglês. "Quando vi meu nome, fiquei tão feliz, nunca vou esquecer", relatou.

Vivências Culturais

Embora não tenha vivido em aldeias durante a infância, Clécio sempre teve contato com a cultura Huni Kuĩ em casa. Sua primeira visita a uma terra indígena ocorreu já na juventude, em Feijó. Na escola, enfrentou curiosidade e estranhamento devido a traços físicos que o associavam a asiáticos.

Facilidade com Idiomas

Clécio sempre demonstrou aptidão para aprender línguas, começando com o espanhol na adolescência e depois o inglês. Sem recursos para cursos pagos, preparou-se para o Enem com o apoio de escolas públicas e aulas gratuitas.

Representatividade e Futuro

Clécio nunca teve professores indígenas, o que reforça a importância de sua conquista. Ele almeja seguir na carreira acadêmica com doutorado e desenvolver projetos voltados para comunidades indígenas. "Sonhe em estar lá e nunca esqueça de onde veio", concluiu Clécio, destacando a importância de retribuir aprendizados à sua comunidade.
Foto: Reprodução / G1 - Principal

Deixe uma resposta

Cancelar resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Siga-nos

Vote no campeão

Principais categorias

Comentários recentes

Aceite os cookies para uma melhor experiência de navegação.