Casas Bahia Registra Prejuízo de R$ 1 Bilhão no Primeiro Trimestre, Mas Apresenta Melhorias Operacionais
A gigante do varejo Casas Bahia divulgou um prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão no primeiro trimestre de 2026, impactado significativamente por seu resultado financeiro negativo. No entanto, a empresa demonstrou avanços no desempenho operacional, conforme explicou o presidente-executivo Renato Franklin.
Franklin afirmou que a companhia adotou uma estratégia mais conservadora para o ano, especialmente na concessão de crédito e na tomada de riscos, em resposta ao ambiente macroeconômico desafiador. "Nosso 'approach' para o ano é ser mais conservador na concessão de crédito, na tomada de risco, nas compras com fornecedores", disse o executivo, ressaltando a importância de gerir cuidadosamente os riscos associados à demanda de crédito elevada.
Impacto no Mercado e Perspectivas
O presidente-executivo destacou que, apesar da previsão inicial de aumento na demanda por televisores em função da Copa do Mundo, o mercado não apresentou o crescimento esperado nos meses de abril e início de maio. "Estamos crescendo muito em TVs, mas porque o meu 'share' no 'e-commerce' era baixo", explicou Franklin, apontando que a expansão se deveu mais a fatores internos do que a um aumento geral do mercado.
Para o segundo trimestre, a empresa espera impulsos positivos devido ao Dia das Mães e à Copa do Mundo, mas Franklin adverte que o foco deve ser mantido na prudência. "Nós vamos ter um segundo trimestre que tem sim o impulso do Dia das Mães e de Copa do Mundo, mas pé no chão, acho que sem euforia", afirmou.
Análise de Receitas e Despesas
No período analisado, a Casas Bahia viu sua receita líquida crescer 6,1% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 7,4 bilhões. Em contrapartida, as despesas com vendas, gerais e administrativas aumentaram 5,4%, totalizando R$ 1,7 bilhão.
O desempenho das vendas online destacou-se com um crescimento de 24%, atingindo quase R$ 3,3 bilhões, enquanto as vendas em lojas físicas registraram um declínio de 1,8%, somando quase R$ 5,6 bilhões. A margem bruta manteve-se praticamente estável, registrando 30,3% contra 30,2% no mesmo período do ano anterior.
Desafios Econômicos e Soluções Internas
A alta taxa de juros impactou negativamente o resultado financeiro, que fechou em R$ 1,2 bilhão negativo, 27% mais alto do que no ano anterior. Este fator foi um dos principais responsáveis pela ampliação do prejuízo, que um ano antes era de R$ 408 milhões. Franklin destacou a importância do fluxo de caixa livre, que foi de R$ 852 milhões, apesar do consumo de R$ 224 milhões devido a pagamentos financeiros.
A alavancagem financeira da empresa manteve-se quase inalterada, passando de 0,4 vez no final do ano passado para 0,5 vez. Franklin enfatizou a nova fase da empresa, que busca provar sua capacidade de gerar valor através do aumento da escala no canal online próprio, crescimento em soluções financeiras e monetização da logística.
"Nós saímos daquela fase que tinha um risco grande, tinha uma estrutura muito alavancada e outros desafios e entramos numa fase agora onde temos que provar que somos capazes de gerar valor", concluiu Franklin, indicando uma abordagem mais equilibrada para enfrentar os desafios futuros do mercado.